sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Eike denunciou à Lava Jato

Eike denunciou à Lava Jato que BNDES fazia operações sem garantias reais

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)
José CasadoO Globo
Do - Tribuna da internet - O Arquivo X de Eike Batista é um curioso baú de histórias que oscilam entre o fulgor e a indolência do capitalismo de laços consolidado na era Lula-Dilma. Quando entrou no gabinete do ministro da Fazenda, Guido Mantega, na quinta-feira 1º de novembro de 2012, Eike era um homem de negócios com ativos de US$ 12,7 bilhões, na avaliação da época feita pela agência Bloomberg. Às vésperas de completar 56 anos, perdera a liderança nas listagens sobre os mais ricos do Brasil, e suas empresas submergiam em perdas, mas insistia em manter estrutura de serviços de mordomias ao custo de US$ 7 milhões ao mês debitados no caixa da holding.
O ministro pediu-lhe o equivalente a US$ 2,5 milhões para cobrir despesas de campanha do Partido dos Trabalhadores, contou ao Ministério Público Federal, em maio passado, num depoimento que seguiu o roteiro de uma colaboração espontânea — ele foi aos procuradores e pediu para falar: “O ministro de Estado me pediu, que que você faz? Eu tenho 40 bilhões investidos no país, como é que você faz?”. Aceitou.
Seu advogado tentou socorrer-lhe, esclarecendo que no mundo X aquele dinheiro “não era um valor significativo”. Foi uma fugaz lembrança da época em que Eike Batista mantinha 100 garrafas de champanhe no escritório. O empresário interrompeu: “Hoje, para mim, é muito dinheiro”.

RETRIBUIÇÕES – Ele se esmerava em gestos de retribuição ao governo. Dois anos antes, na terça-feira 17 de agosto de 2010, foi a São Paulo participar de um leilão beneficente promovido pelo cabeleireiro da então primeira-dama, Marisa Letícia. Arrematou a cena noturna ao pagar US$ 250 mil (R$ 500 mil, na época) por um terno usado de Lula. E se comprometeu a dobrar o valor da coleta filantrópica.
Quarenta e oito horas depois, estava no Palácio do Planalto, conversando com Lula sobre uma reserva maranhense “de 10 a 15 trilhões de pés cúbicos” de gás natural, equivalentes a “quase a metade das reservas confirmadas de gás da Bolívia”. Eufóricos, assessores do governo e teóricos do PT exaltavam Eike como “figura emblemática” de uma “camada de empresários dispostos a seguir as orientações do governo”.
Dilma Rousseff, àquela altura, contava 11 pontos de vantagem sobre adversários nas pesquisas, e porta-vozes de Lula escreviam: “É talhada, por sua biografia, para levar adiante um projeto nacional pluriclassista.”
DOBRANDO A META – Em 2012, no gabinete do ministro da Fazenda, o dono do mundo X tentava dissimular o óbvio: o abalo sistêmico em seu universo de negócios. Planejara perfurar três de dezenas de poços de petróleo, decidira aumentar em 67% e ainda queria dobrar a atividade de perfuração.
Os resultados eram modestos e o investimento elevado (US$ 700 milhões). Eike precisava do governo Dilma tanto quanto o PT precisava dele para pagar contas atrasadas com o publicitário João Santana, que trabalhara nas campanhas de Dilma em 2010 e do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, eleito na semana anterior à reunião com Mantega.
O problema do empresário eram as porteiras fechadas da Petrobras, que lhe recusava novos negócios, e do BNDES, que julgava ter ultrapassado o limite prudencial de empréstimos ao grupo X. Havia um agravante: o governo também já havia atravessado a fronteira da prudência, com repasses do Tesouro ao banco público, correspondentes a mais da metade do crédito dado pelo BNDES ao grupo de empresas eleitas como “campeãs nacionais”. Esses socorros do governo ao banco estatal inflaram o endividamento público. Eram as “pedaladas”.
SEM GARANTIAS – Para Eike Batista faltaram tempo, meios e aliados, apesar das múltiplas doações de dinheiro (houve ano em que chegou a distribuir US$ 7 milhões em benemerências políticas). Punido “pelo mercado”, como costuma repetir, nunca deixa de lembrar suas diferenças com os competidores que julga terem sido mais privilegiados pelo poder.
Na mesa do Ministério Público Federal, em Curitiba, Eike deixou algo além do seu testemunho espontâneo sobre um ministro da Fazenda coletando dinheiro para o partido do governo. Sugeriu que fosse feita uma extensão das investigações sobre os negócios do BNDES na era Lula-Dilma: “Eu entreguei todo o meu patrimônio como garantia”, disse, “olhem para os outros que não deram seus avais pessoais, que aí está a grande sacanagem”.
Como se abrisse uma fresta no seu Arquivo X, arrematou em tom de apelo aos procuradores: “Vocês que estão passando o Brasil a limpo, por favor, essa é uma área crítica. Porque é fácil né. Você bota o que quiser (como garantia ao crédito do BNDES). Uma fazenda que não vale nada, o cara avalia por um trilhão de dólares. É fácil, né.”
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – As denúncias de Eike têm procedência. Num país minimamente sério, o ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho já teria sido algemado por mentir repetidas vezes em depoimentos no Congresso. Disse, por exemplo, que o financiamento ao Porto de Mariel, em Cuba, tinha garantia da Odebrecht. Era conversa fiada. A garantia é do governo cubano, que está tecnicamente falido. (C.N.) 

As dualidades das marionetes humanas, na visão poética de Jorge Ventura

Resultado de imagem para jorge ventura poetaPaulo PeresSite Poemas & Canções
O publicitário, ator, jornalista e poeta carioca Jorge Ventura, no poema “Marionetes”, destacou as dualidades sempre existentes nas relações entre as pessoas.
MARIONETES
Jorge Ventura  
Existe entre nós
um par com duas pontas.
Cada qual com dois prós,
cada qual com dois contras.
Puxa-se uma corda daqui,
outra dali,
mãos e pernas espalham-se
emaranhados
em movimentos manipulados,
sabe Deus por quem.
O vaivém dos gonzos
range os limites estipulados,
em meio a trapos, farrapos
e desculpas esfarrapadas.
Duas marionetes sem brio
e a relação por um fio

Nova operação da Acrônimo devassa a Casa Civil de Fernando Pimentel

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Rezende, chefe da Casa Civil de Minas, é um dos alvos
Jailton de CarvalhoO Globo
A Polícia Federal cumpre hoje novas ordens judiciais relacionadas à 9ª fase da Operação Acrônimo, entre mandados de busca e apreensão e prisão. Entre as pessoas com prisão decretada, está um funcionário da Casa Civil do governo de Minas Gerais. Segundo o G1, o chefe da Casa Civil e de Relações Institucionais de Minas, Marco Antônio de Rezende Teixeira, seria um dos alvos.
A última fase da operação havia sido realizada no dia 15, tendo dois alvos diferentes: a investigação de supostas fraudes em licitações no Ministério da Saúde e a obtenção de vantagens indevidas em financiamentos junto ao BNDES para a realização de projetos no exterior. Foram cumpridos 20 mandados judiciais nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, além do Distrito Federal.
A Operação Acrônimo teve início em maio deste ano e mirou empresários que doaram para partidos políticos na campanha de 2014. O principal alvo foi Benedito Rodrigues de Oliveira, o Bené, dono de gráfica em Brasília, uma das quatro pessoas presas na primeira ação.
MUITAS ACUSAÇÕES – Bené foi solto 12 horas depois após pagar uma fiança de R$ 78 mil. Ele havia sido preso em flagrante por formação de quadrilha, mas a Polícia Federal não esclareceu o que o empresário estava fazendo no momento da prisão.
Em junho, relatório sigiloso da PF acusou Pimentel de prática de possíveis atos de corrupção, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa supostamente chefiada por Benedito Oliveira. Entre os indícios de corrupção, a PF informa que o empresário pagou despesas com transporte e hospedagem do governador e da mulher dele, Carolina Oliveira, no Maraú Resort, numa praia da Bahia, entre 15 e 17 de novembro de 2013, quando Pimentel ainda era ministro do Desenvolvimento.
A PF também investiga pagamentos realizados por sindicatos mineiros a pessoas ligadas ao governador mineiro. A suspeita é de que os pagamentos ocorreram com o intuito de beneficiar direitamente o petista, em troca de vantagens no governo estadual.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – As provas da corrupção de Pimentel abundam e envolvem o BNDES, na época em que foi ministro e o banco era subordinado a ele. Imitou o Lula e mandou o BNDES contratar sua amante Carolina Oliveira como assessora da presidência da instituição sem jamais trabalhar efetivamente. Depois, casou com ela, que está também investigada e acusada na operação Acrônimo. Como dizia nosso amigo Ibrahim Sued, em sociedade tudo se sabe.(C.N.)

Problema do país está mais na queda da receita do que no aumento das despesas

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Edgar Vasques (tirashq.com.br/edgar-vasques/)
Pedro do Coutto
Excelente reportagem de Mariana Carneiro, Folha de São Paulo de terça-feira, revelou, ao contrário do pensamento conservador, que o problema do desequilíbrio das contas públicas encontra-se mais na queda das receitas do que no aumento das despesas. Tanto assim que o ritmo da atividade econômica melhorou no governo Michel Temer, mas a arrecadação diminuiu.
Em agosto deste ano, a retração foi de 9% em relação a agosto de 2015, valendo frisar que a administração Dilma Rousseff havia mergulhado numa situação de descontrole. Mariana Carneiro baseou a matéria em estudo da Fundação Getulio Vargas, realizado por José Roberto Afonso e Vilma da Conceição Pinto, especialistas em contas públicas. Roberto Afonso e Vilma, por seu turno, analisara dados do próprio Tesouro Nacional, fornecidos ao Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (SIAFI).
A queda de 9%, não considerada a taxa inflacionária e o aumento populacional entre um período e outro, o que transforma 9 em 19,6%, número do IBGE, decorreu de tributos que incidem sobre o universo empresarial. O elenco é este: Imposto sobre o Lucro das Empresas, Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido.
POR QUE ACONTECEU? – Uma contradição clara: pois se a economia melhorou, tal avanço deveria ter se refletido nas receitas que incidem sobre seu movimento. O que terá havido? É absolutamente importante responder-se à pergunta.
Tributos sobre o lucro – afirmou Roberto Afonso – voltaram a recuar. Até a CIDE (contribuição que incide sobre combustíveis) teve um comportamento muito estranho.
A resposta, na minha opinião, só Pode ser encontrada num acréscimo de sonegação fiscal. Isso de um lado. De outro, recorro a uma brilhante frase do companheiro Flávio José Bortolotto na edição do dia 18: “É necessário que o governo vá além da teoria clássica porque essa só produz efeitos muito lentamente. Sobretudo em relação a um povo, desanimado e desesperado com a recessão e o desemprego”. A meu ver, a colocação é absolutamente perfeita.
FORÇAS DE PRESSÃO – Talvez a queda da arrecadação esteja vinculada a ações das forças de pressão que se fazem sentir no sistema de poder. Afinal de contas, ninguém gosta de pagar impostos. Mas os assalariados não podem escapar, uma vez que são descontados na fonte, em grande parte, pela incidência mensal de 27,5% sobre seus vencimentos, na faixa mais tributada.
E no ano seguinte têm que ser cobrados ou ressarcidos através de suas declarações. Tem mais: o imposto que anteciparam ao Tesouro Nacional não recebe a mesma correção do índice inflacionário. Este ano, por exemplo, a correção foi de 5% para uma inflação (oficial) de 10,6% relativa ao exercício de 2015. O que significa, especificamente um acréscimo de mais 5,6%. Não é brincadeira.
SEM FISCALIZAÇÃO – Neste quadro, é possível que a Receita Federal, onde ocorreu uma greve, tenha sido prejudicada em sua ação fiscalizadora. Mas isso não justifica a queda da receita. De onde se conclui que, não havendo fiscalização, pode haver sonegação.

Um dos dois (Geddel ou Temer) mentiu sobre a manobra para “anistiar” caixa 2

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Temer resolveu “esquecer” o assunto anistia
Carlos Newton
Os mais recentes fatos políticos reforçam uma dúvida inquietante – até que ponto o presidente Michel Temer está refém dos caciques do PMDB? O caso do misterioso projeto destinado a anistiar os crimes eleitorais de caixa 2 reforça essa hipótese, porque o chefe do governo disse em Nova York ter se surpreendido com o assunto. Ao ser indagado sobre a postura de Geddel Vieira Lima, secretário de Governo e Articulação Política, que defendeu ardentemente a anistia, Temer considerou “personalíssima”a opinião do ministro. Afirmou que não via como “prosseguir ou prosperar” essa questão, assinalou que se trata de assunto do Congresso e completou dizendo que não daria “nenhuma orientação” à base de seu governo sobre a matéria.
REVELAÇÃO ESPANTOSA – Ao mesmo tempo, em Brasília, Geddel dava entrevista à repórter Marina Dias, da Folha, para fazer uma revelação espantosa. Simplesmente, disse que conversou por telefone com o presidente Temer, que não teria lhe recriminado a respeito do projeto de lei que abriria brecha para anistiar políticos alvo da Lava Jato.
“Falei com Temer, mas ele não me pediu explicações. Ele sabe que é minha opinião pessoal”, afirmou Geddel à Folha, dizendo que ligou para o presidente antes que ele desse a entrevista em Nova York sobre o assunto.
EXPECTATIVA – Diante de uma contradição desse tipo, com o presidente dizendo uma coisa e o ministro, outra, criou-se uma grande expectativa. Quem estaria mentindo: Temer ou Geddel? Ninguém sabe, porque o Planalto criou uma terceira hipótese, ao decretar silêncio total sobre o assunto. É como se não tivesse acontecido nada, numa tentativa de esconder que Câmara e Senado efetivamente armaram com o Planalto a aprovação de uma emenda que não existia e foi estrategicamente criada para favorecer a todos os políticos com caixa 2 nas campanhas, entre os quais se inclui o próprio Temer, ameaçado de cassação justamente por esse motivo.
Para ocultar a crise do governo, a atrapalhada prisão de Guido Mantega veio a ser providencial, porque ganhou as manchetes e dominou o noticiário. E assim a questão da anistia ficou tudo por isso mesmo, como se dizia antigamente. A única manifestação política do Planalto, nesta quinta-feira, foi uma nota oficial sobre a adiada escolha do porta-voz.
UM DELES MENTIU – O fato é que um dos dois mentiu – Geddel ou Temer. E isso torna ainda mais  intrigante a autoria da fraude na proposta de anistia, que entrou sub-repticiamente na pauta da Câmara nesta segunda-feira. A manobra só ia funcionar porque o suposto autor, Régis de Oliveira, nem está mais na política. E no seu projeto, apresentado em 2007, não constava a concessão de anistia.
Para ser aceita e tramitar no Congresso, qualquer proposta, moção, projeto, solicitação, emenda etc. precisa ter indicação de autoria, seja individual, conjunta (dois ou mais parlamentares) ou coletiva (bancadas ou partidos). Neste caso específico, até agora não foi revelada a autoria da emenda ou do substitutivo à proposição do então deputado Régis Oliveira, que é desembargador aposentado do Tribunal de São Paulo e está querendo saber quem foi o autor da “sacanagem”,  assim classificada por ele.
TODOS MENTEM – Sem medo de errar, pode-se dizer que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), está diretamente envolvido. Ele também mentiu, ao atribuir a decisão exclusivamente às lideranças partidárias. Mas o primeiro-secretário da Mesa, Beto Mansur (PRB-SP), que presidiu a insólita sessão, logo entregou Rodrigo Maia, ao revelar que a pauta das sessões é sempre determinada pela presidência da Câmara.
Todos mentem, mas já se sabe que o líder do governo, deputado André Moura (PSD-SE) e Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, estão envolvidos, juntamente com lideranças do PSDB, PMDB, DEM, PP, PT e PCdoB, entre outros partidos.
A VERDADE LIBERTA – A anistia, que beneficiaria envolvidos na Lava Jato, só foi retirada de pauta após pressão de uma minoria de deputados que estavam na Câmara na noite desta segunda-feira, dia 19, liderados por Miro Teixeira (Rede-RJ), Ivan Valente (PSOL-SP) e Esperidião Amin (DEM-SC).
A verdade será logo conhecida. E as alternativas são as seguintes: 1)  Como Lula e Dilma, Temer também não sabia de nada. 2) O presidente é refém dos caciques do PMDB, que no caso da anistia estão aliados aos chefões de todos os partidos investigados por fazerem caixa 2 nas campanhas. 3) Temer está participando da trama para abafar a Lava Jato, como principal beneficiário da anistia aos crimes eleitorais.
Como dizia Abraham Lincoln, ninguém consegue enganar a todos, o tempo todo. Lula gosta de citar o grande presidente dos EUA, disse até que leu a biografia dele, mas era conversa fiada. Foi apanhado na mentira porque citou um episódio na sala do “telex” (era telégrafo) que não existia no livro, a cena foi criada pelo roteirista do filme de Spielberg. Lula jamais leu um livro, e antigamente até se orgulhava disso.

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