quarta-feira, 18 de maio de 2016

Nem sempre os investimentos estrangeiros atendem aos interesses nacionais

Nem sempre os investimentos estrangeiros atendem aos interesses nacionais

Charge reproduzida do Arquivo Google
Luiz Oswaldo Norris Aranha
Um país obtém moeda estrangeira com os saldos do comércio externo (cresceram no Brasil este ano, devido à redução das importações), mas estes recursos permanecem com os exportadores ou são trocados por moeda nacional com o governo, transformando-se em reservas. Também ocorre essa troca pelo resultado positivo da conta de capitais (entradas menos saídas), somando-se às reservas Internacionais da nação. Os países agrícolas – isso outrora ocorreu no Brasil – recebem materiais, equipamentos e mão de obra do exterior, outra forma de internação do capital estrangeiro. Para os que produzem esses bens, com trabalhadores habilitados, investimentos externos redundam em mais reservas lá fora, contra moeda nacional entregue internamente.
ENTRADA DE CAPITAIS
A entrada de moeda estrangeira nos países em desenvolvimento ocorre de três formas. O governo, trocando suas reservas Internacionais com importadores ou com investidores que estão repatriando seus recursos. Ou através de investimentos privados de curto prazo, trocados pela moeda nacional e aumentando as reservas Internacionais. Finalmente, por inversões em capital produtivo, novas empresas ou aquisição das existentes, também se constituindo em troca de divisas.
Por outras palavras, na verdade a moeda estrangeira não entra em uma nação, sendo apenas transformada em moeda nacional. E para obtê-la, ou se realizam novas emissões monetárias, causando inflação, ou se emitem títulos públicos, pagando juros aos aplicadores internos.
INTERESSES DO CAPITAL
Mas nem sempre os investimentos estrangeiros atendem aos interesses nacionais. É preciso facilitar o ingresso de investimentos em produção e controlar o capital externo meramente especulativo.
Os investidores internacionais são muito zelosos para preservar seus capitais. Dando-se qualquer marola, correm para os títulos do Tesouro norte-americano, trocando remuneração por segurança. Para aplicar em países menos desenvolvidos, desejam retorno mais elevado, embutindo taxas de risco. Também exigem garantias na legislação que lhes permitam rápida repatriação dos recursos aplicados. Os investimentos de risco terminam exigindo resultados ainda mais elevados, tendo em vista a possibilidade de eventual expropriação. Por outro lado a remessa de lucros acaba impactando o Balanço de Pagamentos, pois as taxas usuais são da ordem de 12% a. a. ou até mais. A saída de capitais pode acabar sendo mais alta do que a entrada.
Para uma empresa se implantar são necessários diversos fatores, a destacar: direito a produzir determinado bem; tecnologia para tal; disponibilidade do mercado para absorver as vendas; recursos financeiros e capacidade de gestão. Em tese os empresários brasileiros dispõem de quase todos esses atributos, faltando-lhes por vezes tecnologia e capital. Assim a entrada de empresas estrangeiras deve priorizar a oferta desses dois itens.
JUROS INTERNOS E EXTERNOS
Não tem sentido atrair capitais externos, que são trocados por reais disponibilizados pelo governo brasileiro, para participar com apenas pequena parte dos investimentos, o restante vindo dos Fundos de Pensão dos trabalhadores nacionais e de empréstimos subsidiados concedidos pelos bancos oficiais, especialmente o BNDES.
Acresce que, ao receber a moeda estrangeira e irrigar as reservas internacionais, o governo obtém por elas remuneração irrisória, enquanto paga juros bem acima da inflação (talvez os maiores do mundo) para os títulos da dívida pública que é obrigado a emitir. Assim, a ideia que vem sendo propagada de usar essas reservas para realizar investimentos no país é impraticável, cabendo mantê-las apenas por uma questão de prestígio no exterior.
Por outro lado, os investimentos vindos de fora devem ser selecionados, em especial priorizando-se os projetos que trazem recursos financeiros e tecnologia, jamais os que desejam adicional de recursos por parte das entidades brasileiras. Mesmo assim, relembrando, isso apenas irá engordar as reservas.
É PRECISO SER RACIONAL
No mundo de hoje não se deve ser discriminatório e muito menos xenófobo, mas cabe ser racional e priorizar o desenvolvimento nacional. As empresas estrangeiras em alguns setores têm mais experiência que as brasileiras e podem ter gerado metodologias gerenciais mais avançadas, sobretudo com o uso da informática. Mas cabe aprender e jamais se submeter, considerando-se subalterno.
O Brasil tem potencial e sua população precisa entender que seu papel é fundamental para que haja crescimento mais acentuado. Valorizando as nacionalidades. De braços abertos para aqueles que desejam vir para seu território e trabalhar junto aos brasileiros. Porém, rejeitando os que veem apenas oportunidade de lucro, sugando o esforço nacional.

Mudança de hábito: Renan desistiu de Dilma e já aderiu ao governo de Temer

Renan Calheiros segue sempre a favor do vento
Daniela LimaFolha
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), reafirmou a aliados que não vê chances de a presidente Dilma Rousseff retomar o poder após ter sido afastada. A avaliação foi feita pelo senador repetidas vezes desde o desfecho da votação no Senado que sacramentou o afastamento de Dilma, na semana passada. Para Renan, mesmo uma gestão tortuosa do presidente interino, Michel Temer (PMDB), não seria suficiente para reerguer a petista politicamente.
O presidente do Senado sempre foi visto como o “último bastião” da governabilidade de Dilma. Ele só se afastou da petista nos últimos capítulos do impeachment.
À derrocada da gestão petista se seguiu uma discreta reaproximação entre Renan e Temer. Desafetos históricos dentro do PMDB, os dois passaram a se reunir com mais frequência.
RENAN NO PLANALTO
Nesta terça-feira, Renan foi pela primeira vez ao Planalto para uma reunião com Temer. O presidente interino precisará da colaboração do presidente do Senado para aprovar medidas importantes para a economia.
A mais urgente delas, a mudança na meta fiscal, precisa ser votada pelo Congresso até o dia 22, ou o governo será obrigado a fazer um corte emergencial de gastos, comprometendo até o pagamento de luz e telefone.
A mudança da meta de superávit deve ser feita em sessão do Congresso, que só pode ser convocada por Renan, o que deve ocorrer na próxima semana. A avaliação é que esse pequeno atraso no calendário não chegará a afetar, na prática, o pagamento das despesas do governo.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Há um equívoco na matéria – onde se fala em “superávit”, deve-se ler “déficit”, porque as contas públicas foram destruídas pela gestão de Dilma Rousseff, a primeira mulher sapiens que desenvolveu a técnica de fazer tudo errado. Quanto à previsão de Renan sobre a impossibilidade de Dilma voltar ao poder, merece entrar para o Museu de Grandes Novidades, criado por Cazuza em parceria com nosso amigo Arnaldo Brandão. (C.N.)

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