quarta-feira, 11 de maio de 2016

FOI DELCIDIO, HOJE SERÁ A VEZ DE DILMA

Sonhar não é proibido, e o Planalto sonha com 30 votos a favor de Dilma…

Charge do Sinovaldo, reprodução do Jornal VS
Mariana Haubert, Leandro Colon e Débora Álvares
Folha
Diante de um cenário previsível de derrota, a base do governo trabalha, numa conta otimista, para tentar chegar a 30 votos dos 80 senadores (o suplente de Delcídio Amaral não votará hoje) contra o processo de impeachment de Dilma, enquanto a oposição trabalha com até 56 por sua abertura. Basta maioria simples dos presentes para que Dilma seja afastada por até 180 dias e julgada por crime de responsabilidade.
Nas últimas 24 horas, senadores próximos ao Planalto não acreditavam em surpresa, ao contrário da votação na Câmara, em que havia na véspera esperança em salvar Dilma.
Levantamento feito pela Folha aponta que pelo menos 50 pretendem se manifestar pela admissibilidade.
Além de afastar a presidente, o placar desta quarta-feira vai indicar a tendência para a fase final do processo, que exige 54 votos para que ela seja condenada e deixe o cargo definitivamente.
FORA DO BARALHO
A própria presidente já declarou que são remotas as chances de retornar ao posto. “Se eu perder, estou fora do baralho”, disse, em recente entrevista no Planalto.
Aliados da petista no Senado consideram que só uma catástrofe política e econômica de um governo de Michel Temer seria capaz de mudar o quadro no Senado e abrir espaço para uma volta dela.
A sessão deve começar às 9h. Cerca de 65 senadores devem discursar, além do relator do processo, Antonio Anastasia (PSDB-MG), e do advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo.
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), quer realizar a votação por painel eletrônico às 19h, mas espera-se atraso por causa de discursos e questionamentos.
INTIMAÇÃO
Se a votação for concluída nesta noite, Dilma deve ser notificada na manhã desta quinta (12), quando então automaticamente se afasta. “Não quero colaborar com antecipação de etapa nenhuma”, disse Renan, ao ser questionado sobre o futuro da presidente. O Senado decidirá a estrutura presidencial que ela poderá usar durante o período do processo.
Alvo do impeachment em 1992, o ex-presidente Fernando Collor, agora senador pelo PTC-AL, estará na votação desta quarta, mas ainda não revelou seu voto.
A petista é acusada de editar decretos de créditos suplementares sem aval do Congresso e de usar verba de bancos federais em programas do Tesouro, as chamadas “pedaladas fiscais”. Sua defesa entende que não há elementos para o afastamento.
JUDICIALIZAÇÃO
Ciente do cenário político praticamente irreversível, o governo procura o caminho da judicialização do caso. Nesta terça-feira, a AGU (Advocacia-Geral da União) recorreu ao Supremo Tribunal Federal pedindo, por meio de um mandado de segurança, a anulação do processo. O ministro Teori Zavascki vai relatar a ação.
Cardozo avisou que o mesmo deve ser feito após a votação dos senadores nesta quarta. “Até onde você vai [judicializar]? Até o fim”, disse.
Um dos argumentos da AGU é o que chama de “desvio de poder” por Eduardo Cunha (PMDB-RJ), como presidente da Câmara, na ocasião em que aceitou o processo contra Dilma em 2015.
GILMAR MENDES IRONIZA
O ministro do STF Gilmar Mendes desconsiderou a ação do governo. “Ah, eles podem ir para o céu, o papa ou o diabo”, disse, ironizando a visita da atriz petista Letícia Sabatella ao Vaticano, segunda-feira, para pedir ao Papa Francisco que denunciasse o “golpe” contra a presidente Dilma.
Outros juízes do Supremo defendem a não interferência na decisão do Congresso sobre o tema.
###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – O Planalto espera que haja 30 votos a favor de Dilma, o que significaria que podem ser alimentadas esperanças de reversão no final do processo, quando a presidente petista necessitará de 28 votos para voltar ao poder. Bem, sonhar ainda não é proibido. Veremos logo mais, ao final da primeira “votação nominal eletrônica” da História de nosso país, instituída pela criatividade de Renan Calheiros, a qual o Supremo costuma respeitar, sabe-se lá por quê… (C.N.)

Nenhum comentário:

Postar um comentário