sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Papa Francisco pede reforma na ONU e fim da cultura do descarte


Francisco ressaltou importância da defesa da natureza e dos pobres
Papa Francisco foi muito aplaudido na ONU
Papa Francisco foi muito aplaudido na ONU
O papa Francisco abriu os trabalhos da 70ª Assembleia Geral das Nações Unidas e pediu uma reforma da entidade para "se adaptar aos novos tempos". Ovacionado de pé ao fim da fala nesta sexta-feira (25), o Pontífice tocou em temas importantes da atual situação mundial.

"A experiência desses 70 anos demonstram que reforma e a adaptação aos novos tempos são sempre necessários, progredindo até o objetivo final de conceder a todos os países, sem exceção, uma participação e uma incidência igual nas decisões", destacou.

Para o Pontífice, isso vale para os "órgãos de capacidade executiva, como o Conselho de Segurança, organismos financeiros e grupos ou mecanismos criados, especificamente, para enfrentar as crises econômicas". Dando destaque especial aos órgãos financeiros, Jorge Mario Bergoglio disse que a medida ajudará a "por fim" em qualquer tipo de abuso "especialmente contra os países em desenvolvimento".

"Os organismos devem vigiar a ordem do desenvolvimento sustentável dos países para evitar uma asfixiante submissão de tais nações aos sistemas de crédito que, bem longe de promover o progresso, submetem as populações a mecanismos de maiores pobrezas, exclusão e dependência", disse.

Ouvindo atentamente seu discurso, estavam a presidente brasileira, Dilma Rousseff, a chanceler alemã, Angela Merkel, a líder chilena, Michelle Bachelet, o casal Bill e Melinda Gates e a Nobel da Paz de 2014, Malala Yousafzai Ao mesmo tempo que pedia por mudanças, o sucessor de Bento XVI elogiou a história da entidade, que mesmo nem sempre atingindo seus objetivos, consegue ajudar na "construção" da fraternidade humana. "Todas estas realizações são luzes que contrastam com a obscuridade da desordem, causada por ambições descontroladas e egoísmo coletivo. Apesar de ter muitos problemas para resolver, todavia, é seguro dizer que se faltasse a ONU, a humanidade poderia não ter sobrevivido", elogiou.

- Justiça social e meio ambiente: Como faz comumente em suas homilias e preces, o Papa interligou o respeito à natureza aos problemas sociais enfrentados pelos mais pobres. Para Francisco, é preciso "afirmar, antes de tudo, a existência de um verdadeiro direito do ambiente. "Primeiro, porque como seres humanos fazemos parte do ambiente, vivemos em comunhão com ele e temos um dever ético de respeitá-lo. Um dano ao meio ambiente é um dano à humanidade. Em segundo lugar, porque cada uma das criaturas possui um valor existencial, de vida e de interdependência", discursou.

Citando as diversas religiões, o líder da Igreja Católica destacou que as religiões monoteístas acreditam em um "Deus Criador" e que devem utilizar a natureza sem "abusar dela ou destruí-la". Em outras crenças politeístas, todos consideram que "o ambiente é um bem fundamental". Para Bergoglio, a exclusão econômica e social - que provoca danos à natureza - "é uma negação da fraternidade humana e um crime gravíssimo à humanidade e ao ambiente". "Pois, os mais pobres são os que sofrem mais por três motivos: são descartados pela sociedade, vivem de desperdícios e sofrem injustamente com as consequências do mau uso do ambiente. Essa é a cultura do descarte, tão difundida atualmente", ressaltou.

O líder católico ainda elogiou a aplicação da "Agenda 2030" da ONU e disse que ela é um dos bons instrumentos para a sociedade no futuro e para as próximas gerações. Ele ainda destacou que espera que a Conferência do Clima, que será realizada em Paris no mês de outubro, tenha resultados "concretos e efetivos". "O mundo pede a todos os governantes uma vontade efetiva, prática e constante com medidas imediatas para preservar e melhorar o ambiente natural. Também quer superar o mais rapidamente a situação de exclusão social, como o tráfico de seres humanos, exploração sexual, trabalho escravo, tráfico de armas e drogas e terrorismo", ressaltou.

O religioso ainda destacou que, mesmo com as prováveis assinaturas de acordos, o "desenvolvimento humano integral não pode ser imposto, mas deve ser construídos por cada um e por cada família". (Ansa Brasil)

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