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segunda-feira, 21 de abril de 2014

ARTIGO DE ANTONIO NUNES - O DIA DO INDIO



O dia do índio!
Antonio Nunes de Souza*
O dia dezenove de abril, muitos anos atrás, era comemorado com festas, alegrias, nossas crianças caras pálidas, negras e mulatas, se vestiam de índio, com suas fantasias simples ou sofisticadas, improvisados arcos e flechas, muitas vezes com apenas uma modesta pena de galinha ou peru na cabeça e, com essas indumentárias se divertiam com outras crianças vestidas de cawboys, delegados e xerifes, fazendo suas pacíficas batalhas, logicamente, imitando os filmes americanos que eram exibidos aos milhões por todo nosso Brasil. Pois, os americanos do norte, tinham o orgulho de passar uma imagem negativa do índio, como perversos e maus e, baseando-se nisso, dizimaram milhares de índios, tomaram suas terras, se instalaram e hoje a nação pele vermelha é bastante reduzida e cada vez se molda mais as civilizações brancas, perdendo suas culturas e originalidades.
No Brasil, com uma história bastante similar, uma vez que os que tentaram e os que nos colonizaram, não deixaram de eliminar tribos inteiras, tomar suas terras, escravizá-los, proliferaram doenças, misturaram raças em abundancia, enfim, procederam com as mesmas técnicas usadas pelos europeus e americanos posteriormente. O fato é que em nome do tal progresso, implantar civilizações, novos países, etc., aos mais fracos (no caso os índios) foram sempre saqueados e traídos grosseiramente como os Astecas, Maias, Toltecas, Incas e outras importantes da America Latina. É uma verdade incontestável que os índios viviam numa boa e foram ludibriados, saqueados e suas terras tomadas na marra, apenas com o simples trabalho de delimitarem e fazerem suas escrituras anos depois com as anuências governamentais.
Essa parte da história é verídica e incontestável, mas com o tempo, principalmente aqui no norte e nordeste a miscigenação foi e é tão acentuada que, ninguém pode se arvorar de ser cacique, índio puro ou um espécime real e tribal das antigas nações. As misturas foram acontecendo, como também não temos nenhuma “cara pálida” que não tenha uma bisavó ou tataravó que era índia. E, assim sendo, não justifica surgir um cacique e estar liderando um movimento reivindicatório das terras que, 500 anos atrás pertenciam aos seus antepassados. Temos o direito de gritarmos alto e de bom som que também temos sangue índio correndo em nossas veias e esse direito hoje é de toda coletividade brasileira, principalmente dessa parte norte/nordeste do país.
Hoje as crianças pouco brincam de índios e cawboys, esqueceram as estórias americanas, e as nossas nunca nem se preocuparam em saber, em função da péssima memória brasileira com sua história.
Então, em função do exposto, hoje é o dia de todos nós que, orgulhosamente, somos descendentes dos bravos índios do passado e, conseqüentemente, nada de terras para grupos oportunistas, pois se tiverem de fazer demarcações eu vou querer meus hectares também! 
*Escritor – Membro da Academia Grapiúna de Letras de Itabuna – antoniodaagarl26@hotmail.com

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