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quinta-feira, 21 de novembro de 2013

QUASE QUE NÃO HÁ MAIS COMO POETIZAR O RIO CACHOEIRA


O Rio Cachoeira era o ecossistema aquático sulbaiano mais perfeito da natureza.

Era o nosso canto, no canto do mundo, era a caridade no vai e vem das águas.

 Era o belo sobe e desce de um rio que trazia um coração carregado de emoção. Se fez estrada para o homem semear e colher o encanto da vida. No entanto, estamos devorando o nosso canto, nosso encanto, nosso lar.

Nosso santuário navega se arrastando na esteira do repudio. Corre esquecido ao abandono e ao sofrimento. Ainda assim oferece mais, muito mais do que pode oferecer.

É levado ao mergulho sono da escuridão. Ergamos um altar de altas mãos para o Rio Cachoeira se apoiar. Refletir, vestir o tempo, se divertir, distribuindo saúde em goles de emoção. Sua luta obstinada, sangrando, sangra sem ajuda, solitário. 

Anda no vale da agressão carregando todos afluentes, alguns muito doentes e ainda arca com nosso descaso, nossa demência por anos de escuridão, para enfrentar o monstro da poluição. 

A edificação dos pilares que harmoniza o desenvolvimento da região cacaueira da Bahia é importada, adquiri-se por moeda de troca. Tudo caríssimo, do primeiro mundo. E quando o assunto é preservação da floresta e sua biodiversidade, jogam nosso ecossistema como exemplo, para o mundo. Enquanto isso acredite! 

O Rio vai se defendendo do contundente ataque humano pela escorregadia ladeira da morte. Navegando inerte pelo veio da contaminação oxigena a terra, a espera de corações que possa remar as águas do futuro. Emudece o querido tesouro, o astro da nossa história, a seiva e o sangue de um príncipe; um herói que corre caridosamente servindo a mesa daqueles que deveriam viver para tapetar suas margens de flores, transformam tudo em dor. Fincam-lhe dejetos que lhe apunhala o coração. Resíduos que apodrece, exala mau cheiro e espalha odor. 

Quando vamos entender que o Rio Cachoeira, entre outras funções, corre para inspirar a poesia sulbaiana. É o estímulo do sorriso humano; de alegria de encontrar corações que faz os homens voarem em emoções; assistir por séculos o tempo passar e ver a vida soberanamente ao sol brilhar? 

Do blog: Valcabral

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